O poder da oração

Então, queridos irmãos, vamos ouvir a palavra do Senhor. Mateus, capítulo 5, versículo 9. Mateus capítulo 5 versículo 9. Vamos ler todos juntos. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Mais uma vez, bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus, sem olhar pra tela, nem pra Bíblia. Agora, bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Agora fala pra pessoa que tá do teu lado: "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados. Aleluia! Senhor, acabamos de ouvir a tua palavra, Pai, e agora nós declaramos a nossa total necessidade, que o Senhor venha iluminar a nossa mente, nos conduzir nessa reflexão para que essa seja uma palavra do alto para nossa vida, seja alimento espiritual para nós, fonte de luz e de direção. E como temos pedido, Pai, que possamos responder a tua palavra em submissão e obediência essa noite, Senhor. Nosso alvo é sermos teus discípulos e nos tornarmos como o Senhor. E para isso é indispensável que haja obediência e submissão. Nos ajuda em tudo, Senhor. Essa é a oração que fazemos em nome de Jesus. Amém. Amém.Dentro da nossa série de mensagens com o tema que está em tela, né? Essencial ser discípulos, nós estamos estudando juntos o sermão do monte e atualmente nós estamos estudando as bem-aventuranças. Bem-aventuranças que são qualidades ou características que são esperadas, né, por Jesus, que estejam presentes na vida daqueles que são seus discípulos. Hoje, meus irmãos, nós entraremos na sétima e penúltima bem-aventurança. Então, depois de um longo caminho, né, estamos quase lá. Falta de hoje e vai faltar mais uma. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados de filhos de Deus. Muito bem. Eu quero começar a mensagem dessa noite trabalhando com vocês a definição de alguns termos que nós encontramos nesse versículo para refrescar sua memória apenas, meus irmãos bemaventurados, diz respeito àqueles que são felizes, mas são felizes por terem sido aceitos, aprovados ou benditos pelo Senhor. Ou seja, essa não é uma felicidade qualquer, não é uma felicidade que vem desse mundo, mas é uma felicidade sobrenatural que desce do céu sobre a nossa vida. Os bem-aventurados de Mateus 9 são os pacificadores. É muito interessante a gente olhar para toda a escritura, Antigo e Novo Testamento, e a gente perceber o quanto ela fala sobre paz, o quanto esse tema é importante para Deus. E quando a gente chega no Novo Testamento, essa temática da paz e da pacificação, ela está ainda mais presente e ela se apresenta de forma ainda mais profunda. A ideia de nós sermos pacificadores, ela tá presente de forma clara para nós em textos como Romanos 118, que diz assim: "Se possível, no que depender de vocês, tenham paz com todas as pessoas". E em textos como Hebreus, capítulo 12 versículo 14, que diz: "Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor." Esses dois versículos, meus irmãos, eles são exortações claras e diretas de que os discípulos de Jesus devem buscar sempre na medida das possibilidades, viver em paz com todos. Ou seja, essa pacificação que a Bíblia fala, é muito importante que você entenda isso desde o início. Ela é uma paz buscada de forma ativa. Ela é uma paz buscada de forma consciente. Isso na sua essência é ser um pacificador. Mas é interessante a gente observar que a palavra, o termo em si, pacificador ou pacificadores, ele aparece uma única vez na Escritura, uma única vez no Novo Testamento e aparece justamente no versículo da sétima bemaça, que nós lemos há pouco. A partir do grego, a palavra que é traduzida como pacificadores, ela diz respeito, meus irmãos, a aqueles que fazem a paz ou aqueles que produzem a paz. E perceba também algo muito importante desde o início da mensagem. Jesus aqui não está falando de pessoas que amam a paz. Ele também não tá falando de pessoas que evitam conflitos. Jesus fala aqui, meus irmãos, de pessoas que são agentes ativos de reconciliação, pessoas que lutam, pessoas que batalham pela paz. Eu acredito que você já ouviu em algum momento falar sobre a palavra hebraica shalom. Você já ouviu falar sobre a palavra shalom? Nós cantamos, inclusive, tem um hino do nosso CTP que fala, né? Shalom, Adonai, shalom, né? A paz do Senhor, a paz. No cotidiano judaico, essa palavra shalom, ela é muito utilizada. Ela é utilizada para saudar, ela é utilizada para se despedir, ela é utilizada também como um desejo, um voto de bênção sobre a vida das pessoas. Shalom normalmente aponta para três sentidos. Primeiro deles aponta paraa paz como ausência de conflitos. Então, quando não há conflito na vida do judeu, ele está experimentando shalom. paz pela harmonia que é restabelecida e em terceiro lugar paz por relacionamentos que são restaurados, tanto o nosso relacionamento com Deus como também o nosso relacionamento com as pessoas. Quando isso acontece na mente do judeu, ele está experimentando shalom, ele está experimentando paz. No grego, meus irmãos, que é a língua que o Novo Testamento foi escrito, a palavra eirene, e não é Irene, tá? éirene, que é traduzida por paz. Ela tem um significado equivalente ao significado de Shalom no Antigo Testamento. Lá no Evangelho de João, capítulo 14, versículo 27, quando o Senhor Jesus fala pros meus discípulos: "Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou". O que Jesus está falando para eles é: "Deixo com vocês a minha eirene. A minha Irene vos dou". E na sequência desse mesmo versículo, Jesus deixa claro pros seus discípulos de que essa eirene, essa paz que ele dá, é uma paz completamente diferente da paz desse mundo. Inclusive, meus irmãos, em certo sentido, é até mesmo diferente da paz shalom. Porque para o mundo, ou seja, para os que não estão em Jesus, e muitos dos judeus não estavam nele, a paz só é possível pela ausência de conflitos ou pela ausência de problemas. Mas a paz e Irene, meus irmãos, que Jesus nos dá, essa paz, ela é capaz de eliminar nas nossas vidas essa necessidade ou essa exigência da ausência de conflitos para que ela exista. Porque a nossa harmonia e a restauração do nosso relacionamento com Deus, elas garantem sobre a nossa vida um fluxo contínuo e um fluxo intenso dessa paz sobre nós. E uma paz que nenhuma circunstância adversa desse mundo ou dessa vida pode interromper. A paz de Jesus, meus irmãos, nos permite conservar a nossa mente calma e as nossas emoções sob controle, nos permite conservarmos o nosso equilíbrio e a nossa estabilidade, nos permite não sermos dominados pelo medo ou pela ansiedade. E tudo isso mesmo diante dos conflitos, tudo isso mesmo diante das tribulações da nossa vida, nós podemos enfrentar doenças, podemos enfrentar crises nas nossas finanças, na nossa família, no nosso relacionamento, no nosso trabalho e ainda assim sermos capazes de estar em paz. Mesmo assim, sermos capazes de experimentar a paz que, segundo Paulo, é a paz que excede todo o entendimento humano, excede toda compreensão, a paz que esse mundo não consegue entender. Mas como isso é possível, meus irmãos? Como é que nós conseguimos passar por tantas coisas na nossa vida, passar por tantas situações ruins? e ainda assim continuarmos experimentando a doce e santa paz do Senhor. Como isso é possível? Eu quero dizer para você num primeiro ponto, no primeiro momento desse sermão essa noite, de que isso só é possível, porque a nossa vida pertence ao Deus que é o autor tanto da paz como da pacificação. O nosso Deus é o autor da paz e é o autor da pacificação. Quando nós vamos lá pro livro do Gênesis, o livro das origens, meus irmãos, após ter criado todas as coisas, nós vemos toda a criação do Senhor, inclusive o homem e a mulher, vivendo na mais profunda paz e na mais profunda harmonia. Não havia um único conflito sequer em tudo aquilo que havia sido criado por Deus. Esse estado permaneceu até o dia em que eles comeram do fruto proibido, até o dia em que eles pecaram contra Deus e o pecado entrou no mundo. A partir desse momento, o Gênesis vai mostrar para nós de que o caos foi instaurado na criação. O homem entra em conflito consigo mesmo. O homem entre em conflito com o seu semelhante, entre em conflito com a mulher, o homem entre em conflito com Deus e o homem entre em conflito até mesmo com a natureza. Se você observar na sua Bíblia, Gênesis capítulo 3, versículo 7 e 10, o texto vai mostrar para nós o homem tendo um conflito interno consigo mesmo ao se envergonhar da sua nudez, até então não percebida por ele, porque não havia nenhum tipo de maldade no seu ser. Gênesis, capítulo 3, versículo 8, vai nos mostrar o homem e a mulher em conflito com Deus. Quando o Senhor desce até o jardim e procura por eles, o texto vai dizer que eles se esconderam do Senhor, envergonhados por terem pecado contra Deus, por terem quebrado o pacto que havia sido feito com o Senhor. Gênesis, capítulo 3, versículo 12, nos mostra o conflito entre o homem e a mulher, entre Adão e Eva. Quando Adão vira para Deus e tira, tenta tirar dele a culpa, dizendo: "Senhor, foi a mulher que o Senhor me deu, que comeu e me deu a fruta para que eu também comesse". Gênesis, capítulo 3, versículo 17, vai nos mostrar, meus irmãos, até mesmo o conflito do homem com a terra ou com a natureza após a queda. O texto vai dizer que por causa do pecado, Deus amaldiçoou o solo. A partir daquele momento, o trabalho de Adão e Eve, de toda a humanidade, para poder cultivar a terra e tirar dela o seu alimento seria muito mais sofrido, muito mais penoso, muito mais complicado. O texto dá a ideia para nós, meus irmãos, de que a própria terra, ela passou a resistir ao homem de certa forma e começou a criar espinhos e ervas daninhas para dificultar o plantil e a colheita dele. Conseguiu perceber o caos que o pecado instaurou no mundo. E aí a pergunta que surge diante disso é: o que é que Deus faz diante de todo esse caos? Como é que Deus responde a ele, meus irmãos? Deus se apresenta imediatamente diante da humanidade como o pacificador. Deus se apresenta e se declara como aquele que iria resolver esse caos. iria resolver esses conflitos, iria resolver de fato o problema. Se você observar aí na sua Bíblia, Gênesis capítulo 3, versículo 15, no momento da queda, no momento da instauração do caos, Deus faz uma promessa enquanto ele amaldiçoava a serpente por aquilo que ela havia feito. E Deus diz o seguinte nesse momento pra serpente: "Porrei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça e você lhe ferirá o calcanhar." De modo geral, meus irmãos, o entendimento que nós temos é de que essa promessa do Senhor é uma espécie de protoevangelho. É uma primeira boa nova que surgiu na história da humanidade, onde Deus mostra e aponta para aquilo que ele faria um dia através da obra de Jesus Cristo. O seu sofrimento e morte na cruz são simbolizados nessa profecia pelo calcanhar ferido. Mas a sua vitória sobre o pecado e sobre a morte, ao morrer e ressuscitar, destruindo assim as obras do diabo, é simbolizada nessa profecia pela cabeça da serpente sendo esmagada. Colossenses, capítulo primeo, versículos 19 e 20, é um texto belíssimo, meus irmãos, e que nos mostra de uma forma muito clara como Deus trouxe ordem, harmonia e restauração ao caos causado pelo pecado por meio de Jesus. Esse texto diz assim: "Porque Deus achou por bem que nele, em Jesus, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer sobre os céus". O mesmo Paulo em Efésios 2 de 11 a 22, ele vai nos mostrar ainda de como Deus, através do sangue de Cristo, reconciliou judeu e gentius e fez esses dois povos se tornarem parte de uma mesma família, se tornarem um único povo no Senhor. a esses dois povos que agora se tornaram um só povo, Paulo diz o seguinte nos versículos 13 e 1 "Mas agora, em Cristo Jesus, vocês que antes estavam longe foram aproximados pelo sangue de Cristo, porque ele é a nossa paz. De dois povos ele fez um só. E na sua carne derrubou a parede de separação que estava no meio, a inimizade. Por meio de Cristo, Deus nos reconcilia com ele. Por meio de Cristo, Deus nos reconcilia uns com os outros, nos tornando um só povo, nos tornando uma só família. Mas há um texto em Romanos 8 que vai mostrar como Deus vai resolver até mesmo o nosso conflito com a natureza. Romanos 81 a 25. Nessa passagem, o mesmo apóstolo Paulo nos mostra como a criação, no sentido de natureza, aguarda com grande expectativa a revelação dos filhos de Deus. Essa palavra, esse versículo aponta, meus irmãos, pro dia glorioso em que o Senhor Jesus voltará para buscar a sua igreja e a nova Jerusalém descerá a esse mundo e todas as coisas serão refeitas, renovadas, transformadas pelo poder de Deus. Paulo vai dizer que esta criação, essa natureza que um dia esteve em conflito conosco, que continua em conflito conosco, ela guarda ansiosamente o dia em que o Senhor também vai resolver esse problema e vai trazer paz também a ela. Por meio de Jesus, por meio dos do sangue da sua cruz, meus irmãos, Deus produziu a paz e pacificou o seu relacionamento conosco e o nosso relacionamento com o nosso próximo. É maravilhoso a gente observar como Deus em Cristo transformou inimigos em filhos. É maravilhoso a gente observar como Deus em Cristo transformou pessoas que se odiavam e eram incapazes de viverem juntas em irmãos e irmãs membros de uma mesma família. Se você já se reconheceu pobre em espírito diante de Deus, se você já chorou pelos seus pecados, se você tem sido manso na sua vida pela consciência de quem você realmente é diante de Deus, se você é misericordioso, porque você sabe que você recebeu misericórdia da parte do Senhor. Se você tem fome e sede de justiça, porque quer ser cada vez mais próximo de Deus e do seu próximo. E se você tem sido zeloso para manter o seu coração limpo, para que um dia você possa ver a Deus, o próximo passo, meus irmãos, é assumir o papel que Deus quer que você exerça nesse mundo. Papel de ser um agente da paz e pela paz. o papel de ser um pacificador. E como pacificador, como agente da paz que você é chamado a ser, eu quero dizer para você nesse segundo ponto, que você não pode, de forma alguma ser neutro ou omisso diante de situações onde o conflito e o caos estão instaurados. Como alguém já disse certa vez, meus irmãos, neutro é detergente. Nós temos lado e o nosso lado é o lado da paz. Nós estamos como discípulos de Cristo do lado da paz. E nós devemos assumir essa postura, porque nós como discípulos do Senhor estamos debaixo do poder e da autoridade daquele que Isaías 9 fala, que é o príncipe da paz. E esse que é o príncipe da paz, meus irmãos, ele nos constituiu nesse mundo como embaixadores e representantes daquilo que ele é. Paulo em segunda Coríntios 18 a 21 nos diz assim: "Ora, tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos seres humanos e nos confiando a palavra da reconciliação. Portanto, somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós. Em nome de Cristo, pois, pedimos que vocês se reconciliem com Deus. Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. Às vezes a gente pergunta para vocês, né, você já descobriu qual que é o seu ministério? E você fala: "Ah, eu não sei, pastor, não sei se é cantar, se é ficar lá na transmissão". Todos nós, segundo o texto em que a gente acabou de ler, temos um ministério em comum, meus irmãos. Nós somos chamados a trabalhar no ministério da reconciliação. Deus quer que as pessoas saibam através da minha e da sua vida, de que em Cristo o Senhor também quer fazer as pazes com elas. Assim como ele fez as pazes conosco, um dia, meus irmãos, Deus também quer alcançar outras pessoas e estar em paz da mesma forma com elas. Deus quer se reconciliar com essas pessoas para que elas conheçam, meus irmãos, a sua paz. A paz que excede todo entendimento. A paz ou consolo, como a gente viu na Segunda Bemaventurança, que surge, meus irmãos, a partir do perdão dos nossos pecados e de uma vida piedosa próxima ao Senhor, como daqueles que têm fome e sede de justiça. Nós somos embaixadores, nós somos representantes de Jesus nesse mundo. E é por nosso meio, meus irmãos, que Deus chama as pessoas a se reconciliarem com ele. Mas além de agirmos para que as pessoas tenham paz com Deus, como pacificadores, nós também somos chamados a agir para que as pessoas tenham paz umas com as outras. Deus fez isso em Cristo, meus irmãos. Através do sangue de Cristo, nós temos paz um com o outro. Podemos ser irmãos, podemos ser uma família no Senhor. Como o texto que nós lemos, Deus uniu judeus e gentius, que antes viviam separados em um único povo. O discípulo de Jesus deve também fazer tudo que estiver ao seu alcance. Não apenas para viver em paz com as pessoas, mas também para ajudar as pessoas a viverem em paz umas com as outras. No início do sermão eu citei Romanos 118 e Hebreus 114. Quero ler novamente esse texto. Se possível no que depender de vocês, vivam em paz com todas as pessoas. Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus. Meu irmão, minha irmã, tem gente que é briguenta, tem gente, como diria um amigo meu do escritório central lá de São Paulo, que é intriguenta. Tem gente, meus irmãos, que não apenas se envolve em conflitos diversos, mas parecem ter prazer nesses conflitos. Parecem ter prazer em alimentar discórdias, meus irmãos, divisões ao seu redor. Parece com o perdão da palavra que eu vou usar, com todo o meu vocabulário de mano lá de São Paulo, se não tiver uma treta com alguém, a vida não tem graça. Os discípulos de Jesus não são chamados a ser esse tipo de gente. O nosso prazer, a nossa alegria, a nossa satisfação, meus irmãos, deve ser estar em paz sempre que possível e na medida do possível com todas as pessoas com quem nós convivemos. Nós não devemos nos sentir bem ou não devemos nos sentir confortáveis diante de um conflito com alguém ou diante de um conflito entre duas pessoas ao nosso redor, à nossa volta. De maneira alguma, meus irmãos, isso deve acontecer. Quando nós somos os causadores do conflito, da discórdia, o que é esperado de nós é que nós tomemos a iniciativa de pedir perdão à outra pessoa e de trabalhar o máximo que nós pudermos para restabelecer a paz. Quando nós somos os afetados ou os ofendidos pelo conflito, nós precisamos oferecer perdão ao outro e nós precisamos estar abertos à reconciliação, sempre visando a paz que Deus deseja que esteja presente na nossa vida e nos nossos relacionamentos. E quando nós estamos diante de uma situação de conflito entre duas pessoas que não se entendem, o papel do pacificador, meus irmãos, é atuar como uma espécie de mediador pela paz, como alguém que se coloca no meio entre as duas partes e como alguém, meus irmãos, que busca caminhos e alternativas para que aquilo seja resolvido e para que a paz seja estabelecida no que diz respeito à busca pela paz para você guardar bem. Os discípulos de Jesus jamais devem permanecer neutros, porque Deus sempre nos chama à ação. Amém. Deus sempre nos chama à ação. Mas talvez você esteja pensando e dizendo para mim aí no seu coração, ai pastor, em situações dessas eu prefiro deixar para lá. É mais fácil fingir que tá tudo bem, tá tudo certo. É mais fácil virar as costas do que ter que partir para um encontro e iniciar um processo de pacificação. Ou talvez você diga para mim assim: "Pastor, eu não me meto no conflito de ninguém, que eu já me meti uma vez, ainda saí como errado da história, ainda fui criticado. Então eu não me meto no conflito de ninguém. O teólogo Martin Lloyd Jones, ele diz certa vez o seguinte: "O cristão não é alguém que apenas evita problemas, mas alguém que entra em situações difíceis com o propósito de trazer a paz." E aí eu tenho uma má notícia para você. A má notícia que ser um pacificador não é fácil mesmo. Aliás, eu nunca menti para você, né? Desde o início eu tô falando que ser discípulo de Jesus é muito difícil, exige muito de nós. Ser um pacificador sempre exige um preço a ser pago. Entenda uma coisa, a paz tem um preço, sempre tem. E esse preço precisa ser pago por alguém. John Stot disse que a verdadeira paz e o verdadeiro perdão são tesouros caros. São tesouros muito caros. E por que que você tá dizendo isso, pastor Bruno? Lembra pouco que eu falei que Deus fez paz conosco? Deus teve que pagar alguma coisa para fazer a paz conosco, meus irmãos. Ele pagou, né? Ele pagou e ele pagou um preço altíssimo. E Paulo, em todos os textos que nós lemos faz questão de que essa paz, ela só foi possível por intermédio do sangue de Jesus Cristo, o filho de Deus. A luz de Gênesis 15, meus irmãos, o calcanhar teve que ser ferido para que a cabeça da serpente pudesse ser esmagada. É muito importante que a gente entenda nesse momento de que há uma diferença entre pacificar e apaziguar. Há uma diferença marcante entre pacificar e apaziguar. Em linhas gerais, meus irmãos, pacificar é resolver o problema e ter paz em decorrência disso. Apaziguar, por outro lado, é uma paz fingida. Apaziguar é uma paz que eu chamo de paz barata. Ela até tem aparência de paz, mas ela é uma paz frágil, ela é uma paz fraca e ela é uma paz que desmorona rapidamente, porque o problema permanece ali. O problema nunca foi tratado. O apaziguamento, para ficar claro para você, são os nossos famosos panos quentes. Quem é que nunca falou vamos jogar um pano quente nisso aqui abafa? Ou é o nosso famoso varrer para debaixo do tapete? Vamos varrer isso para debaixo do tapete. Tá tudo certo, tá tudo em paz. Deixa para lá. Não vamos falar mais sobre esse tipo de coisa. É como quando você brigava com o seu irmão e a su sua mãe mandava parar e falava: "Apazigou, quero que vocês dois se abracem". Aí você vai, abraça seu irmão e fala no ouvido dele assim: "Deixa a mãe sair que eu vou quebrar a sua cara". Isso é apaziguamento, meus irmãos. É acabar com a guerra sem resolver o conflito. Você precisa entender que ao agirmos como pacificadores, sempre haverá um preço a ser pago de alguma forma. alguns exemplos para vocês. Você terá de lidar com a vergonha ou constrangimento de procurar e pedir desculpas à pessoa que você fez mal. Esse já é um preço a ser pago. Você reconhecer que você fez besteira. E pessoas que costumam ser um pouco mais orgulhosas t mais dificuldade com isso. Você vai ter que pagar o preço de vencer o seu orgulho e de ir até a pessoa para reconhecer o seu erro e pedir perdão. Ou você vai ter que lidar com sentimentos difíceis quando você for a parte ofendida da história e tiver que confrontar o outro para falar para ele que ele te ofendeu, que ele te feriu. Também é difícil fazer isso. É uma atitude de muita incerteza, porque a gente não sabe como a pessoa vai reagir. Isso mexe com o nosso coração. Isso evoca sentimentos muito delicados. Pode ser ainda, meus irmãos, que você tenha que ouvir coisas difíceis e dolorosas nessa conversa de reconciliação. Coisas que muitas vezes parecem que vão machucar mais, que vão deixar o conflito ainda pior do que já está, mas que são necessárias para que haja de fato cura, perdão, reconciliação e finalmente paz. Quem é aqui gosta de ter conversas difíceis? Eu odeio ter conversa difícil. Quando minha mulher chega para mim e fala assim: "Bruno, a gente precisa conversar, já me dá taquicardia, já começa a suar". Eu falo: "Jesus, que que eu fiz? Me ajuda?" Eu já começo assim, vamos comer comida japonesa, esquece isso. Ou quando algum irmão chega para mim e fala assim: "Pastor, tô passando por uma situação muito séria. Eu preciso conversar com você, com você. Eu já fico ansioso, já começa a suar, fala: "O que que vai vir?" Ninguém gosta de ter conversas difíceis, meus irmãos, mas são conversas difíceis que tornam a nossa vida mais fácil. São conversas difíceis que tornam a nossa vida mais leve, mais pacífica. Tem muita gente que vive apaziguado, mas que não tem verdadeiramente paz, porque evita ou não tem coragem de ter esse tipo de conversa. Isso é muito comum em casamentos, meus irmãos. muito comum em casamentos. Todo aconselhamento de casal que eu vou fazer, eu procuro junto com o casal identificar quais foram os motivos que levaram eles até aquele momento, até aquela crise. E sabe o que que nós normalmente encontramos quando a gente faz isso? Sabe onde nós normalmente encontramos esses motivos? Nós encontramos esses motivos que levam os casais à crise debaixo de panos quentes, debaixo de tapetes, meus irmãos. Coisas que, por mais difíceis e delicadas que sejam, os casais deveriam ter lhe dado e tratado lá atrás, mas preferiram evitar todo custo, fingir que não tinha um problema, porque não quiseram pagar o preço disso. O problema é que quanto mais o tempo passa, as coisas não melhoram. Pelo contrário, o preço a ser pago se torna cada vez maior. E quando você for tirar a toalha ou tapete, a coisa vai est simplesmente horrível. E é nesse ponto que muitos casais optamficação. Portanto, tire o apaziguamento da sua vida, do seu relacionamento, da sua família. É um câncer isso. Até para ajudar os outros, meus irmãos, como um mediador, sempre há um preço a ser pago. Eu vou ter que abrir mão da minha própria vida por um tempo. Eu vou ter que investir tempo com aquelas pessoas. Eu vou me desgastar ao lidar com os problemas delas de algumas maneiras. Pode ser que seja emocionalmente doloroso para mim ouvir algumas coisas que eles vão falar um pro outro. Vai ser um desafio para mim ser imparcial no meio da mediação, não tomando partido, demonstrando empatia e simpatia igual pelos dois lados. Além disso, quando a gente vai mediar um conflito, a gente sempre corre o risco de ser mal interpretado naquilo que a gente falar. A gente sempre corre o risco de receber ingratidão. Meu, me dediquei tanto para ajudar você e você me você fala comigo dessa forma, você faz isso comigo? Ou ainda o preço mais caro que muitas vezes um mediador paga, que é o preço de fracassar. É doloroso, meus irmãos. E eu como pastor sei bem disso. Quando eu sento com duas pessoas para tentar reconciliação, para tentar ajudar e simplesmente eu sou incapaz de ajudar. Por mais que eu saiba que eu não sou culpado, inevitavelmente eu me sinto sim um pouco culpado e me pergunto o que que eu poderia ter feito para ajudar essas pessoas. Toda paz verdadeira tem um preço. Deus pagou um preço altíssimo pela nossa paz. E ele, meus irmãos, quer que estejamos dispostos a pagar também quando for preciso, com a diferença de que o preço que nós pagaremos será certamente infinitamente menor do que o preço que o Senhor pagou. Amém. Acho que muitos casais vão ter uma conversa hoje, né, homens? Deus ajude vocês. Tá tudo bem, né, amor? Em casa, né? Ah, tá. A minha mulher fez até o coraçãozinho para mim assim. Vai ter comida japonesa hoje. Tô brincando, não tem dinheiro. Eu quero terminar dizendo para você de que vale a pena pagar o preço que for, vale a pena ser um pacificador. Porque além da alegria pelo fim do conflito, da harmonia e da reconciliação, segundo essa bem-aventurança, nós ainda teremos a alegria de sermos chamados filhos de Deus. Filhos de Deus. Sabe quando uma criança começa a ficar muito parecida com o pai e começa a repetir tanto coisas boas ou como coisas ruins? Que que normalmente a gente fala pra criança? Ô, você só podia ser filho do seu pai mesmo, né? Você só podia ser filho do seu pai mesmo. A promessa de Jesus, de uma maneira muito linda, meus irmãos, ela aponta nesse mesmo sentido. Quando as pessoas nos virem como pacificadores, elas dirão: "Você só pode ser filho do seu pai". E quem que é o nosso pai? Deus. Deus. Os pacificadores serão chamados filhos de Deus. E para sermos reconhecidos como filhos de Deus, meus irmãos, nós temos que nos tornar como seu filho unigênito, como Jesus, o príncipe da paz. Quanto mais parecido com Cristo eu e você formos, certamente mais pacificadores nós seremos. Eu quero concluir apontando algumas áreas da sua vida que eu quero aconselhar você a ser um pacificador, a ser uma pacificadora. Primeira área, seja um pacificador na sua família, seja um pacificador no seu lar, seja um pacificador no seu casamento. Meu irmão, minha irmã, se tiver conflitos no seu casamento, se você identificou muitos apaziguamentos e pouca paz, o meu conselho para você essa noite é: busque reconciliação e não vitória diante dos conflitos. Muitos casais estão eternamente em guerra porque eles querem ser vitoriosos nessa guerra, nessa batalha, mas isso não existe. Me permitam ser um herege agora. Desliga a câmera aqui. Tô brincando. Tem uma banda chamada Patufu. Não sei quem conhece. Eu quando era jovem eu ouvia Patufu. Tem uma música do Patufu, olha o nome da música, quebrando os dentes. E no refrão dessa música, meus irmãos, a letra diz assim: "As brigas que ganhei, nenhum troféu como lembrança para casa eu levei. As brigas que perdi, essa sim eu nunca esqueci. Eu nunca esqueci. Não vale a pena ganhar. Não vale a pena ganhar. Em uma briga onde uma das partes ganha e a outra perde, não existe reconciliação. Reconciliação não é sobre ganhar ou perder. Reconciliação é sobre ceder. Reconciliação é sobre ceder. Deus cedeu seu único filho para se reconciliar conosco. O que você está disposto a ceder? Próxima área que eu quero aconselhar você a ser um pacificador. Seja um pacificador na igreja. O diabo semeia joio no meio do trigo, meus irmãos. Muitas vezes o joio se levanta para plantar a sementinha do mal. para causar divisões, para causar brigas, causar facções, colocar irmão contra irmão, família contra família. Graças a Deus na nossa igreja, nesses quase 10 anos que eu estou aqui, isso nunca aconteceu de uma forma que se tornou algo grave ou sério e prejudicou a saúde espiritual da nossa igreja. Eu glorifico o nome do Senhor por isso. Mas se a gente não vigiar, meus irmãos, isso pode sim acontecer. Muitas vezes no meio do corpo de Cristo, no meio da igreja do Senhor, nós lidamos com conflitos e divisões. Mas deve haver paz no corpo daquele que é o príncipe da paz. Unidade é algo importante para nós. Nós devemos lutar para mantê-la e nós devemos, sim, quando conflitos acontecerem, eles certamente acontecerão. Sermos agentes que buscam a reconciliação para reconstruir relacionamento com os nossos irmãos. Próxima área que eu quero aconselhar, você seja um pacificador na sociedade. Nós temos vivido, meus irmãos, tempos de tanta polarização, tempos de tanto ódio contra aqueles que pensam diferente de nós. E eu tenho visto muitos discípulos de Jesus fomentando esse ódio, fomentando essas agressões, essas divisões, esse espírito de eles lá, nós aqui. O discípulo de Jesus não é aquele que joga lenha na fogueira. O discípulo de Jesus é aquele que joga água para apagar e aquele que chama as pessoas diante de tanta irracionalidade a serem racionais e a se amarem e se respeitarem mesmo diante das divergências de opinião. Nós estamos vivendo no mundo em guerra, meus irmãos. Tem países que nesse momento estão sendo bombardeados, crianças que estão morrendo. Isso é muito sério. Quando nós falamos em sermos pacificadores na sociedade, isso também implica em nos manifestarmos favoráveis à paz para que essas guerras acabem. É inadmissível um cristão bater palma, postar vídeo no Instagram, no Facebook, comemorando porque Israel tá bombardeando o Irã. Porque jogou um míssil numa escola e matou 50 meninas. Que discípulos de Jesus nós somos, meus irmãos? Ah, mas eles são maus, pastor. A cidade de Nínive também era. E quando Jonas não quis pregar, Deus falou: "Eu tenho muitos filhos no meio dessa cidade. Jonas, você vai pregar sim? Nós precisamos parar com isso. O discurso do discípulo é sempre de paz e pacificação, nunca de guerra e da destruição do que pensa diferente e é diferente de mim. Por fim, meus irmãos, seja um um pacificador na evangelização. Só para relembrar o que eu já falei, você é um embaixador de Cristo nesse mundo e através do anúncio do evangelho, através da sua boca, da sua vida, Deus reconciliará as pessoas com ele e as salvará. A verdadeira paz que nós precisamos, a verdadeira paz que esse mundo busca desesperadamente, só pode ser encontrada em Jesus. E nós precisamos, como embaixadores de Cristo, apontar o caminho para as pessoas e mostrar para elas onde elas verdadeiramente terão seus corações pacificados. Que Deus nos abençoe em nome de Jesus. E que ele nos ajude como discípulos de Cristo a sermos pacificadores, para que quando as pessoas olharem para nossa vida, elas digam: "Eis aí um filho de Deus". Eis aí um filho de Deus. Alguém que é parecido com o pai dele. Feche seus olhos. Vamos orar. Esse é o momento para você colocar sua vida diante do Senhor. Eu não sei os conflitos que estão aí no seu coração, não sei os conflitos que estão estabelecidos com outras pessoas, mas o chamado do Senhor para você é paraa pacificação essa noite, não pro apaziguamento. Está difícil, pede graça, pede misericórdia. para que Jesus transforme o seu coração à semelhança do dele e para que você seja de fato um discípulo, uma discípula do Senhor.

Bruno Borges

9/12/20231 min read

a man singing into a microphone while holding a guitar
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